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Coreógrafo argentino participa dos preparativos para o espetáculo Moinho In Concert

Neste final de semana bailarinos do Moinho Cultural participam de um intensivo com o coreógrafo argentino Jorge Amarante que ensina a técnica do Tango e da “La Milonga”. As danças tradicionais argentinas também estarão presentes no espetáculo que irá homenagear o arquiteto Martino Santa Lucci

 

Corumbá (MS)- A história do imigrante italiano Martino Santa Lucci que viveu em Corumbá no início do século XX e teve grande influência na arquitetura local, será contada neste ano durante a apresentação do Moinho In Concert.

Os preparativos do espetáculo já estão a todo vapor e deve envolver cerca de 400 pessoas entre alunos e profissionais do Instituto Moinho Cultural Sul-Americano.

A tradicional apresentação que ocorre desde 2008, vai homenagear neste ano a trajetória e importância do imigrante italiano, arquiteto e construtor que contribuiu não apenas na arquitetura que hoje é um dos símbolos da cidade, mas também com um grande engajamento social para melhoria da qualidade de vida da população da época, sendo responsável pela construção do primeiro sistema de abastecimento de água em Corumbá em 1897.

As viagens de Martino ao redor do mundo também ganham espaço nas apresentações, entre elas, sua vivência na Argentina, onde também morou, será representada no palco através de duas das mais tradicionais danças do país, a Milonga e o Tango.

Para representar com fidelidade a dança que faz parte da cultura argentina, o Moinho Cultural trouxe de Buenos Aires para Corumbá o bailarino e coreografo Jorge Amarante.

As tradicionais danças argentinas estarão presentes no palco do Moinho In Concert

Com uma coreografia montada especialmente para os bailarinos do Moinho Cultural, o coreógrafo participa durante quatro dias dos ensaios e preparativos do espetáculo.

“Sou um bailarino que fez toda minha carreira no ballet clássico como bailarino principal do Teatro Colón, em Bogotá na Argentina, então em relação a este trabalho de adaptar o Tango ao modelo de dança Clássica não será muito diferente”, afirmou.

Para ele a maior preocupação foi de transmitir na dança, a fidelidade de um tango e milonga, que era apresentado no início do século passado.

Bailarino e Coreógrafo Jorge Amarante montou coreografia de Tango e La Milonga para apresentação no Moinho In Concert

 

 

 

 

 

 

“Fiz justamente uma coreografia para que os bailarinos se sintam mais cômodos para executar a técnica do Tango que é uma dança muito específica. Como se trata de um modelo de dança apresentado no início de 1900, o que estamos fazendo na Companhia de Dança do Pantanal é um tango mais tradicional, além da [La Milonga] um ritmo que apesar de muito semelhante tem um nível de dificuldade um pouco maior”, concluiu o coreógrafo ressalto o comprometimento dos bailarinos com o aprendizado.

Para a diretora-executiva do Moinho Cultural, a homenagem a Martino Santa Lucci é uma forma de reconhecimento ao imigrante pela contribuição que teve ao desenvolvimento da cidade.

“A homenagem é a um imigrante italiano que veio a Corumbá e construiu vários prédios, foi um grande visionário empreendedor ajudou construir a Matriz construiu a Casa Vasques, também o prédio onde hoje é o Iphan e tantas outras casas, foi o primeiro a trazer a água do rio para parte de cima, foi ele que construiu a primeira distribuição de água da cidade e também casas de banhos entre tantas outas aqui na nossa cidade”, disse Márcia Rolon.

Coreografia de Tango e La Milonga foi montada pelo coreógrafo especialmente para o Moinho In Concert

De acordo com ela, a presença do coreógrafo argentino Jorge Amarante, demonstra o comprometimento do instituto em realizar uma apresentação rica em detalhes e comprometida com a fidelidade do ritmo.

“Como nós primamos pelo nosso trabalho de excelência o tempo todo, conseguimos por meio do maestro Rolando Cândia que é amigo do Jorge Amarante traze-lo para que o nosso trabalho seja legitimo e um trabalho profissional. Vamos fazer uma apresentação do início do século e seria uma irresponsabilidade da nossa parte fazer uma caricatura do Tango”, afirmou.

Novidades

Diretora-executiva do Moinho ressalto o compromisso do instituto com a qualidade da apresentação

 

 

 

 

 

 

Para a apresentação do Moinho In Concert, algumas novidades estão previstas como a participação do Coral, que pela primeira vez irá se apresentar no palco principal.

Estamos com os preparativos em andamento não só coreográficos como também com os figurinos que será de época, e isso é mais difícil de trabalhar, é preciso uma grande pesquisa para que sejamos muito legítimos com os detalhes”, ressaltou Márcia, destacando que neste ano o Coral do Moinho Cultural terá participação no palco.

“Além de trazer o Jorge Amarante para fazer algo bem interessante na dança, a gente está com o Maestro da Universidade Federal do Espirito Santo o Max Michel, que está preparando todos os nossos professores da área da musical e coral, porque este ano eles também irão subir no palco, algo que nunca tinha ocorrido nas edições anteriores, mas neste ano eles vão cantar e dançar, isso é uma sementinha também para quem sabe surgir um futuro musical para os próximos anos” concluiu.

Homenageado

Casa Vasquez é uma das construções projetadas pelo arquiteto Martino Santa Lucci / Foto: IHP

Martino Santa Lucci deixou a Itália em 1871, viveu em Rosário de Santa Fé, na Argentina. “Descendente de uma família de construtores, logo se dedicou a essa atividade, tendo construído naquela cidade argentina o cais do porto e vários outros prédios. Fascinado pelas notícias da existência de minas de prata no Brasil, na região do atual município de Coxim, no antigo Estado de Mato Grosso, deixou a Argentina e, subindo os rios Paraná e Paraguai chegou em Corumbá.

Entre 1880 a 1883, Santa Lucci permaneceu em Coxim dedicando-se à atividade de exploração das minas e, em 1884 já havia se instalado em Corumbá, cuja cidade exerceu a profissão de construtor.

Em Corumbá, Martino Santa Lucci foi responsável por várias obras. Na parte alta construiu a caixa de água para abastecimento da cidade; o quartel de polícia localizado na rua 13 de Junho; o antigo hospital militar, atual Hotel de Trânsito, situado na avenida General Rondon; o sobrado da rua 15 de Novembro esquina com 13 de Junho e também o sobrado da rua 13 de Junho esquina com Antônio Maria Coelho.

Na parte baixa da cidade, às margens do rio Paraguai, Santa Lucci edificou a antiga Alfândega, o sobrado da Casa Vasquez, hoje sede do Instituto do Homem Pantaneiro, o prédio que hoje abriga o Iphan entre outros.

*Com informações UFGD

Fonte: http://folhams.com.br/corumba/coreografo-argentino-participa-dos-preparativos-para-o-espetaculo-moinho-in-concert/70590/

Instituto Moinho Cultural - 2015